Campanha em prol da preservação do Engenho Verde, vários ecoparques das vizinhanças e todo ecossistema das matas, agricultura diversificada que abastece a feira de Palmares e de outras cidades da Mata Sul. Riachos, cachoeiras, todo patrimônio cultural e natural.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

* O que é mais viável, o aprofundamento e limpeza do leito do Rio Una ou a construção de barragens?


Foto aérea da Cidade dos Palmares - PE, durante enchente do Rio Una ano passado (foto durante a manhã do dia 19/06/2010)

VAMOS DEBATER SOBRE ESTE ASSUNTO NO I SEMINÁRIO SOBRE A OPERAÇÃO RECONSTRUÇÃO DE PALMARES. SERÁ QUARTA-FEIRA, DIA 6 DE JULHO, ÀS 8H. NO CENTRO DE TREINAMENTO JOÃO XXIII, BAIRRO CENTRO - PALMARES - PE. PROMOVIDO PELA ARTICULAÇÃO MUNICIPAL DE ENTIDADES (AME-PALMARES), FORMADA POR ONGs (ASSOCIAÇÕES DE MORADORES, PASTORAIS, CPT, CLUBES DE SERVIÇOS, MAÇONARIA, GRUCALP)... AME-PALMARES CONVIDA. 
Foto do dia 4 de Maio/2011, mostra cena da segunda enchente deste ano. Casas construídas na margem do rio com parte da imóvel dentro do leito do Una, alguns exemplos do crescimento urbano desordenado da Cidade dos Palmares - PE.
Há anos se falou muito sobre aprofundamentos do leito do Rio Una, desde o Agreste até a foz, juntamente com os principais afluentes Pirangi e Panelas. E as tentativas aumentaram após enchentes do ano 2000, que na época deixou o povo atônico. Tudo era discutido num chamado COMITÊ DA BACIA HIDROGÁFICA DO RIO UNA, formada por representantes de ONGs e Governos Municipais, ligada à Secretaria de Recursos Hídricos do Estado de Pernambuco (interessante que naquela época o Prefeito dos Palmares liderava esse Comitê, fazendo reuniões com lideranças, cobrando ao Governo Estadual, lutando por Direitos como ocorreu com a Campanha contra a transposição das águas do Rio Camevou; mas desde 2005 que Palmares perdeu a liderança nessas lutas e nem se falou mais sobre esse "Comitê", e, o bom observador sabe que marketing governamental principalmente no governo anterior não faltou, então se não divulgou foi porque nada foi feito mesmo)...

Se naquela época o que esse Comitê reivindicou ao Estado e ao Governo Federal as ações necessários tivessem acolhimentos, não ocorreria a catástrofe de 2010!


Acompanhei várias reuniões daquele Comitê e cito como testemunha que havia projeto de Barragens. Mas em áreas que não iriam danificar muito o ecossistema nem os moradores dos locais de construção; e não eram barragens surgidas de projetos megalomaníacos faraônicos!


Atualmente o Governo do Estado quer fazer uma barragem gigantesca lá no Engenho Verde, no Distrito de Serro Azul. A segunda maior do Estado. Ao ser construída, inundará terras até dos Municípios de Catende e de Bonito, destruindo vários ecoparques.


Pessoas leigas, sem informações científicas concernentes aos impactos ambientais (destruição da biodiversidade, de locais de lazer e da diversificação agrícola, mudanças climáticas, etc), ficam contentes com a notícia da grande obra prometida pelo Governador. Mas as consequências vindouras são desastrosas, principalmente no clima, pois acúmulo de água provoca também mais evaporação e por sua vez mais precipitação pluviométrica, numa região onde já chove muito! Acrescentando a isso o aumento dos problemas provindos do aquecimento global, será mais uma fonte de descontrole ambiental, pois ao acabar com matas ali existentes e surgir um “espelho de água”, a inversão térmica aumentará na região, descontrolando o clima e aumentando as chuvas.


O mundo convulsiona, diante de uma civilização capitalista decadente egoísta consumista e deprepadora do Planeta. E principalmente essas obras egoístas, sem pensar no ecossistema, já provocou muitas catástrofes maiores!


Nós vivemos com medo da Barragem do Prata que fica numa distância considerável, mas por sabermos de ser mal construída; imagina termos uma barragem gigantesca bem pertinho de Palmares, numa distância de 12 Km, que com qualquer acidente (nada que o homem faz é forte diante das furias da natureza) nem dará tempo para avisar ou um morador olhar para o outro e dizer, "eita, esborrou a barragem" ou "danou-se! a barragem estourou"!


Quantos governantes tiveram assessores que prometeram obras indestrutíveis, mas que não aguentaram reações das intempéries naturais? Milhares!


Comparo essa obra prometida pelo Governador com o TITANIC que nunca afundaria! E a História conta o que aconteceu, fizeram até filmes inspirados na catástrofe!


Fizeram cálculos sobre a área a ser inundada e passam dos 1300 hectares, segundo fui informado pelos moradores do Engenho Verde, além do paredão ter por volta de 600 metros de extensão por mais de 60 metros de altura! Ora, sempre a área calculada a ser imersa pela invasão das águas é bem maior quando a obra é terminada, como mostram os dados publicados de todas as barragens construídas (exemplo bem perto temos a Barragem do Prata, onde as águas até invadiram parte de uma rodovia, depois tiveram que fazer um desvio)...


Se observarmos o orçamento para construção da barragem, analizemos: Será melhor limpar e aprofundar o leito do rio. Construir barragem demora muito. E enquanto estão montando projetos para essa obra, já deveriam ter enviado máquinas para limpar o leito dos Rios!


Sabemos que essas obras são sempre superfaturadas, e muita gente da política ganha com elas, principalmente os candidatos futuros ligados à equipe governamental para usufluir dos repasses das empreiteiras!

Casarão do Engenho Verde - Distrito de Serro Azul - Palmares - PE.

Não estou sendo levado a defender preservação do Engenho Verde e outros ecoparques somente porque lá naquele local tem um casarão antigo onde nasceu o escritor Hermilo Borba Filho (o casarão é Patrimônio Histórico Palmarense, foi projetado pelo Arquiteto Luis Vauthier, o mesmo que projeto o Theatro de Santa Izabel, do Recife).

Paisagem de parte do Engenho Verde - Distrito de Serro Azul - Palmares - PE.
Sou artista, militante do Movimento Cultural, mas acho que neste aspecto está em jogo mais que um Patrimônio Cultural, mas um Patrimônio Natural, um ecossistema e fontes de atração turística rural que são os ecoparques que com incentivo da Secretaria de Turismo do Estado e com ação de um Governo Municipal com responsabilidade social e ambiental e sensibilidade, gerará muitos recursos para nosso povo.



Eu também fui vítima de enchentes. O Centro Cultural do GRUCALP, por exemplo, dia 3 de Maio deste ano, teve prejuízo de mais de 25 mil Reais, pois não deu tempo de tirar equipamentos vários, pela falta de transporte durante aquelas chuvas da madrugada e até problemas do trânsito de veículos totalmente descontrolado e quem queria chegar lá no local, -Rua Dr. Gerôncio Borba, Bairro Modelo (http://ponto-de-cultura-grucalp.blogspot.com) não conseguia porque estava preso no trânsito em bairros mais altos. A altura da água da enchente chegou a mais de 2 metros e 80 centímetros lá. Ano passado, mesmo funcionando num primeiro andar da Avenida 13 de maio, o GRUCALP também foi prejudicado porque quando vimos que o local iria ser atingido, não podiamos passar para tirar os equipamentos (deu 1 metro e meio de água lá no local). Mas não é por isso que apoiariamos a construção da Barragem no Engenho Verde. Acima de tudo está o compromisso com a biodiversidade, com a preservação ambiental.



O Rio Una precisa de verdade é de cuidados com aprofundamentos do leito, limpando o leito, as margens e refazendo as matas ciliares destruídas pelo descontrolado crescimento urbano e pela monocultura da cana-de-açucar(matas ciliares protegem os rios e seus solos absorvem os excessos das águas).


Várias áreas pantanosas foram aterradas. Os pântanos, chamados em nossa região de "brejos", existindo, evitam enchentes, pois seus terrenos absorvem muita água. É um fato semelhante aos manguezais (sabemos que as praias estão sendo invadidas pelas águas do mar, principalmente porque aterramentos pelo acelerado consumo do comércio de imóveis, nas zonas urbanas destruiram manguezais que absorvem as ressacas do mar).


Por estes motivos defendo que o Governo do Estado está perdendo tempo. Repito: enquanto juntam engenheiros e planejam essa barragem, deveriam se dedicar a mandar máquinas e colocar as empreiteiras para limpar o leito do rio e aprofundar de forma a quando novamente vir mais água ter vazão maior e não invadir cidades ribeirinhas. Mas nunca essa reivindicação foi ouvida.


Atualmente, somente porque o Governador teve grande votação, ao surgir com essa idéia faraônica, muitos políticos temem questionar, na ansiedade de futuramente também ter parte dos recursos provindos dos superfaturamentso da obra!


Digo sem medo.


Sou guerreiro que não foge da luta e que mantem posionamentos sem preço nem me envolvo nos leilões eleitoreiros onde venais vendem suas honras e dignidades!


Que Deus nos ajude, ilumine os Governantes e os perdoe por toda degradação ambiental que promovem!


Luz e paz!


Jaorish Gomes Teles da Silva
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PUBLICADO NO JORNAL O OLHO

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